Mangalarga Marchador: A Raça 100% Brasileira e Sua História

Espaço reservado para anúncio (Google AdSense)

Enquanto muitas raças de cavalo chegaram prontas ao Brasil, o Mangalarga Marchador nasceu aqui. Foi moldado em solo mineiro, a partir de cruzamentos que começaram ainda no início do século 19.

Espaço reservado para anúncio (Google AdSense)

Hoje é a maior raça de cavalos de sela do país, presente em fazendas, cavalgadas e competições em todos os estados. E tem uma marca registrada que nenhuma outra raça brasileira oferece do mesmo jeito: a marcha.

Neste artigo você vai entender como essa história começou, o que exatamente é a marcha e por que ela conquistou tantos cavaleiros — e por que essa raça carrega tanto orgulho nacional.

A origem: uma história que começa com D. João VI

Tudo remonta à chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808. Entre as mudanças que D. João VI trouxe para a colônia estava também a valorização da criação de cavalos.

A raça nasceu na Comarca do Rio das Mortes, no sul de Minas Gerais, a partir do cruzamento de cavalos da raça Alter — trazidos de Portugal pela corte — com animais que já existiam na região.

Segundo o relato mais aceito, em 1812 Gabriel Francisco Junqueira, o barão de Alfenas, recebeu de D. João VI um garanhão Alter-Real. Ele cruzou o animal com éguas comuns da Fazenda Campo Alegre, entre os municípios de Cruzília e Luminárias, e assim começou a seleção que daria origem à raça.

Vale um adendo histórico: o próprio Alter-Real, base genética dessa história, já carregava influência de sangue andaluz e árabe em sua formação — o que significa que o Mangalarga Marchador tem, lá na sua raiz genética, uma pitada dessas raças antigas do sul da Europa e do Oriente Médio.

Em 1819, D. João VI fundou a Coudelaria Real de Cachoeira do Campo, também em Minas Gerais, reforçando o estado como polo de criação e melhoramento equino no Brasil.

De onde vem o nome “Mangalarga”

A explicação mais aceita para o nome envolve a Fazenda Mangalarga, em Paty do Alferes, no Rio de Janeiro. O proprietário da fazenda, impressionado com os cavalos criados pela família Junqueira em Minas, levou exemplares para sua propriedade fluminense.

Com o tempo, os animais dali passaram a ser chamados de “cavalos da Mangalarga” — e o nome pegou. Mais tarde, o termo “Marchador” foi incorporado para diferenciar os animais que apresentavam a marcha, em vez do trote comum, consolidando o nome que conhecemos hoje.

A raça só formalizou seu registro genealógico em 1949, quando a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) abriu seu primeiro Livro de Registro. Mas nesse ponto a raça já estava plenamente consolidada no país.

O que é a marcha (e por que ela é tão valorizada)

A marcha é um andamento natural em que o cavalo mantém sempre pelo menos uma pata em contato com o solo. Isso elimina o momento de suspensão que existe no trote — e é justamente esse momento de suspensão que causa o “sobe e desce” desconfortável para quem está montado.

Na prática, isso significa um cavalo que anda rápido e por longas distâncias sem sacudir o cavaleiro. Por isso a marcha é tão procurada por quem passa horas a cavalo, seja em trabalho de fazenda, seja em cavalgadas de lazer.

Existem duas variações principais de marcha reconhecidas na raça:

  • Marcha batida: os tempos de apoio diagonais (quando duas patas opostas tocam o chão juntas) são mais longos que os apoios laterais e tríplices.
  • Marcha picada: tem sequência de apoios parecida com a batida, mas com maior dissociação entre eles — os apoios laterais e tríplices duram mais, e o cavalo dá mais passos para percorrer a mesma distância.

Pesquisas em genética equina já identificaram, inclusive, uma base genética ligada a essa diferença: estudos publicados por universidades brasileiras associam determinados genótipos a cada tipo de marcha, mostrando que a característica tem, sim, explicação hereditária — não é só treino.

Características físicas típicas da raça

Além da marcha, o Mangalarga Marchador tem um conjunto de traços físicos bem reconhecíveis:

  • Porte médio, geralmente entre 1,45 m e 1,55 m de altura na cernelha
  • Cabeça de perfil retilíneo, expressiva e proporcional ao corpo
  • Corpo harmônico, nem excessivamente robusto nem muito leve
  • Temperamento dócil, considerado um dos pontos fortes da raça para o manejo do dia a dia
  • Boa resistência para longas jornadas de trabalho ou lazer no lombo

Essa combinação de conforto na marcha, temperamento tranquilo e boa aparência é o que faz a raça agradar tanto o produtor rural quanto o cavaleiro de fim de semana.

Importância cultural e econômica no Brasil

O Mangalarga Marchador não é só uma raça bonita de se ver — é também um negócio relevante. Reportagens recentes estimam que a cadeia produtiva da raça movimenta bilhões de reais por ano no país, envolvendo criadores, competições, exposições e o comércio de animais.

Com mais de 600 mil exemplares registrados pela ABCCMM, é hoje a maior raça de cavalos de sela do Brasil e uma das mais numerosas do mundo em sua categoria.

Mais do que números, porém, o Mangalarga Marchador carrega um significado simbólico. É a raça que nasceu no Brasil, cresceu com o Brasil e hoje representa, para muitos criadores, uma identidade nacional dentro do mundo equestre — tão brasileira quanto o cavalo Crioulo é para o Rio Grande do Sul ou o Campolina para Minas Gerais.

Uma herança que atravessa gerações

Da coudelaria de D. João VI às arenas de exposição de hoje, o Mangalarga Marchador percorreu mais de duzentos anos de seleção cuidadosa. O resultado é uma raça que une conforto, resistência e beleza — e que carrega, na sua origem, um pedaço da própria história do Brasil.

Fontes

Espaço reservado para anúncio (Google AdSense)

Deixe um comentário